sobre a cultura do malandro e o medo de ser otário
escrito por Felipe Senise em 03/09/2008 | 7 comentários
categorias: Pensamento

Se há uma lei mais verdadeira para o brasileiro do que a da gravidade é a de Gérson. Aqui todo mundo quer levar vantagem em tudo, dar um jeitinho, pegar um atalho, enfim, ser malandro.
Afinal, ser malandro é normal no Brasil. Na verdade é até bonito. O malandro é um personagem muito simpático na nossa cultura e mais do que isso, ele é uma espécie de herói do povo, na medida em que consegue levar a vida apesar de uma sociedade individualista e de instituições que não se preocupam em melhorar a vida das pessoas. “O malandro é o barão da ralé”, como versou Chico Buarque.
Só que tem um detalhe importante: a figura do malandro só é possível na presença do seu grande rival, o otário. Aquele típico cidadão correto, honesto, que vive dentro da lei, que respeita as regras e tenta levar uma vida na base do trabalho. É nele que o malandro vê suas grandes chances de se dar bem. Tirar vantagem dessa ingenuidade chega a ser até uma diversão para o malandro. Quem é familiar com as histórias do Zé Carioca e as letras do Noel Rosa sabe do que eu estou falando.
Agora, pare e olhe para essas duas figuras da cultura popular: quem lhe parece mais bacana? Quem deles você gostaria de ser? Quem deles você nunca gostaria de ser? Num país de malandros certamente o maior medo é o de ser otário. Essa cultura de malandragem fez com que o brasileiro corresse do otário como diabo corre da cruz.
E o nosso dia-a-dia mostra isso com nitidez. Tente ir a uma loja de eletrônicos que deixa todos os computadores ligados, sem senha e conectados a internet. Até a lojinha da Apple que fizeram dentro da FNAC é assim. iPods travados, Macbooks desconectados, iMacs com senhas intransponíveis. Note que estou falando da Apple. Nem ela sobreviveu ao medo do otário.
“Como assim, esse povo vai entrar aqui e ficar mandando e-mail de graça? Nem pensar, vou travar tudo”.
Por que será que aqui no Brasil a gente tem uma cultura de devolução tão complciada. Lá fora você compra um produto e, dentro de um determinado tempo, se não gostar pode devolver numa boa. Quando o medo de ser otário permitiria algo do tipo pelas bandas tupiniquins?
“As pessoas ficariam usando e devolvendo as coisas eternamente”, pensa o gerente enlouquecido pelo medo de se ver no papel do otário.
Eu adoro esse personagem malandro. Vida longa para ele na nossa literatura, no nosso cancioneiro e em tudo que se refere a cultura popular nacional. Mas que pare por ai. Comercialmente esse pensamento é anacrônico. Vivemos em tempos de “opensource”. Não cabe mais ficar com medo de passar por otário e se cercar de todos os cuidados para que isso nunca aconteça.
Malandro é malandro, mané é mané e business é business.
sustentabilidade ao pé da letra
escrito por Mastropietro Luiz em 02/09/2008 | 4 comentários
categorias: Ad, Atitude, Pensamento
Todo mundo tá cansado de saber que a sustentabilidade é o discurso do momento.
Mas é interessante observar como o tema está saindo do discurso e ganhando cada vez mais a prática em um lugar em que poucos imaginariam: na própria propaganda.
Em um fenômeno recente, algumas marcas estão passando a usar o próprio material usado em sua comunicação para demonstrar o seu lado sustentável. Uma iniciativa interessante - ainda que simbólica - para “fazer” algo mais pela onda da sustentabilidade.
Na semana passada o Senise postou por aqui a iniciativa da Heineken em Porto Rico, que está transformando o material usado em seus outdoors em acessórios de moda.
Há algum tempo atrás, Honda produziu uma mala direta com um papel especial que continha sementes. As pessoas poderiam ler a carta, amassar e depois plantar uma árvore com o próprio material da propaganda. Nesse caso, a mala direta tem alguma utilidade além daquela que o Yasuda já tinha falado por aqui.

Aqui no Brasil a MTV está veiculando uma campanha de mídia impressa para o Dossie Universo Jovem que é feita com um papel comestível. Como o tema desta pesquisa era sustentabilidade, o anúncio tinha um cunho “auto-sustentável” e era feito com papel holandês de féculas de batatas. O gosto é ruim, mas a idéia é boa.

Ainda no Brasil, a Rainha está lançando o “Rainha Autêntico Eco Consciente”, o novo tênis da marca produzido com materiais que não agridem o meio ambiente. Para lançar o produto foi criada uma campanha para mídia impressa que já traz em seu formato o conceito de sustentabilidade: um anúncio sem tinta.

Apesar de ainda serem simbólicas, todas estas ações fazem parte de um início benéfico de um sinal dos tempos. Afinal, alguém já imaginou quantas árvores uma campanha de mídia impressa das Casas Bahia é capaz de destruir?
Ou melhor: se todas as malas diretas bancárias fossem veiculadas com um papel comestível, talvez fosse possível reduzir um pouco a fome no Brasil.
E se essa moda pega? Fico imaginando as conversas parelalas que surgiriam em 2020, quando a moda pegar de vez:
“Garçom! Uma Coca Zero e uma Veja com raspas de Quatro Rodas ralada.”
“Descola um teco desse gibi aê mano…”
Capa da Playboy em 2020 - “Você pode comer a vencedora do BBB 32.”
É a mídia com uma utilidade a mais. Sustentabilidade ao pé da letra.
O cego e publicitário
escrito por Mastropietro Luiz em 27/08/2008 | 5 comentários
categorias: Ad, Cultura Pop
O texto é velho, praticamente um clássico da cultura pop da propaganda, mas continua interessante. De forma simples, mostra a diferença que pequenas atitudes podem causar. Mostra a diferença entre o racional e o emocional, o óbvio e o surpreendente, entre a cegueira e a luz:
__________________________
Era uma tarde gostosa em Paris.
Havia um cego sentado na calçada, com um boné aos seus pés e um pedaço de madeira que, escrito com giz branco, dizia: “Por favor, ajude-me, sou cego”.

Um publicitário que passava em frente a ele, parou e viu umas poucas moedas no boné.
Sem pedir licença, pegou o cartaz, virou-o, pegou o giz e escreveu outro anúncio.
Voltou a colocar o pedaço de madeira aos pés do cego e foi embora.
Pela tarde o publicitário voltou a passar em frente ao cego que pedia esmola.
Agora, o seu boné estava cheio de notas e moedas.
O cego reconheceu as pisadas e lhe perguntou se havia sido ele quem reescreveu o seu cartaz, sobretudo querendo saber o que havia escrito ali.
O publicitário respondeu: “Nada que não esteja de acordo com o seu anúncio, mas com outras palavras”.
Sorriu e continuou seu caminho.
O cego nunca soube, mas seu novo cartaz dizia: “Hoje é Primavera em Paris, e eu não posso vê-la”.
green is the new black
escrito por Felipe Senise em 26/08/2008 | 1 comentário
categorias: Cultura Pop, Design, Inspiring
Há uns dois meses o Fernand Alphen da F/Nazca escreveu um post muito bom no Blog do GP, chamado Propaganda e Sustentabildiade. A idéia - reduzindo grosseiramente o que ele escreveu - é que a indústria da propaganda prega sustentabilidade pelos quatro cantos por meio de suas marcas, mas ela própria não atua de forma sustentável, já que ela não compensa o grande impacto cultural que suas mensagens causam na sociedade.
Incontestável. Não fazem e dificilmente o farão. Essa provavelmente é uma daquelas contradições internas do sistema que Marx teorizou a exaustão em seus estudos. Quando você estimula e incentiva comportamentos entra em um caminho de mão única, sem retorno a vista.
Porém, notem que a idéia não é anular o impacto, mas sim compensá-lo de alguma maneira. As indústrias de bens de consumo entram por caminhos já conhecidos (e até desgastados apesar de necessários) para equilibrar a balança. Mas e a indústria da propaganda, das idéias comerciais, o que tem feito?
Em geral a resposta é “pouco, muito pouco”, para não dizer nada. Porém, vi uma coisa muito legal que aconteceu recentemente em Porto Rico.
A Heineken tirou o foco da sustentabilidade de suas garrafas e resolveu reciclar a sua propaganda (!). Explico: a comunicação dos caras sempre usou e abusou de outdoors de lona, que depois do tempo de veiculação iam para o lixo. A idéia foi contratar um estudiozinho de costura e utilizar o material dos outdoors para fazer bolsas. Bolsas de material reciclado de propaganda.

Como a marca é muito querida em Porto Rico, se tornou um objeto fashion, vendido nas butiques mais famosas da região, sob a chancela “Heineken: Vive verde”.

Dá uma olhadinha no video-case.
Idéia simples, mas que partiu de um pensamento novo: o que a propaganda pode fazer para compensar o impacto cultural que causa nas pessoas? Como disse o Fernand no fim de seu post: “Quando a propaganda reconhece seu compromisso com o nosso futuro, ela vira cultura. E quando ela vira cultura, ela é melhor”.
wiki witch of portobello
escrito por Werner Iucksch em 24/08/2008 | 2 comentários
categorias: Arte, Web
Ainda sobre wikis. Achei muito inteligente a maneira que Paulo Coelho (ou dos seus agentes, não importa) encontrou para traduzir o livro “A Bruxa de Portobello” para a telona.
Há várias razões para isso. Primeiro porque respeita uma das coisas mais básicas e mágicas da narrativa escrita: cada leitor imagina as cenas de uma forma. Segundo porque a maneira como foi feita amplifica de forma muito significativa a idéia e, por último, porque não custa praticamente nada para o estúdio que vai comercializar o filme.
Essa história começou mais ou menos um ano atrás com sugestivo nome de “The Experimental Witch Project”. A idéia foi pedir aos leitores que fizessem curta metragens do livro, escolhendo o ponto de vista de qualquer um dos personagens para guiar sua história. Dessa maneira o custo de produção não fica proibitivo para muitos não-filhos de banqueiros e diversas versões da personagem principal, Athena (que aparentemente não é narradora de nenhum dos capítulos) ganham vida pelas lentes de pessoas do mundo todo, exatamente como o livro faz (o livro é narrado por diversos personagens diferentes, sempre dando sua perspectiva sobre Athena). A idéia da competição, neste sentido, está extremamente alinhada com o livro.
Acho que esse filme explica bem a idéia:
Cada premiado por melhor curta ganha 3000 euros e cada premiado por melhor trilha sonora (para cada personagem) leva 1500 euros. Segundo o blog do projeto, mais de 6000 pessoas inscreveram suas criações na competição.
Num futuro próximo vai sair um filme de fato com todo esse material. Ele será inscrito em festivais e eventualmente aparecerá nos cinemas por aí. Por enquanto, porém, podemos ter uma amostra com um dos curtas que ganhou, retratando a visão de um agente da Scotland Yard (é, o livro se passa em Londres):
Agora, seria mera coincidência que o livro é feito de maneira perfeita a possibilitar esse esquema todo? (capítulos contados por personagens diferentes, a personagem principal nunca dá a sua versão da história, etc). Ah, para adicionar pimenta: a editora do Paulo Coelho é da News Corp, que também é dona da 20th Century Fox e diversas outras empresas de cinema.
Bom, o fato é que se isso foi planejado desde quando foi assinado o contrato para o livro, esses caras estão mais do que de parabéns, queria participar de uma equipe dessas.
um groove clássico na propaganda
escrito por Mastropietro Luiz em 23/08/2008 | 2 comentários
categorias: Ad, Cult, Pensamento
Nesta semana fiquei sabendo que a C&A lançou um novo comercial com a música “Freedom”, de George Michael como trilha sonora. Foi o estopim para um possível fenômeno na propaganda brasileira: o uso de clássicos dos anos 80 como trilha sonora de comerciais.
Só no último ano foram registrados na TV quatro casos de usos clássicos na propaganda:
A C&A com o hit “Freedom”, de George Michael:
A operadora Claro, com o fenômeno pop “This is kind magic” do Queen:
Denovo a Claro com o cult “Dancing with myself”, Billy Idol:
E até a Renault, com o classic rock “Highway Star” do Deep Purple:
O que todas essas propagandas tem em comum além de serem clássicos dos anos 80? Boas estatísticas no YouTube, um indicador que pode ser considerado como um termômetro da cultura. Afinal, se os números são bons só há um motivo: é porque as pessoas gostam.
Qualquer um destes anúncios tem muito mais views no YouTube do que as propagandas convencionais de lojas de roupa, operadoras de celular e montadoras de automóveis. Cultura pop vende. E acho que um clássico da música pode fazer mais diferença do que o uso de uma celebridade. Ou não?
Será que um dos fatores para isso acontecer se dá ao fato de que hoje, em 2008, os diretores de criação tem entre 30 e 40 anos - pessoas que tiveram sua juventude nos anos 80 e querem reviver estas músicas?
Ou seria apenas uma influência transcontinetal daquele Gorilla cantando Phil Collins?
wiki clip: chemical brothers
escrito por Werner Iucksch em 22/08/2008 | Sem comentários
categorias: Arte
Não sei se muita gente já viu isso, mas o Chemical Brothers vai lancar um CD novo semana que vem e, para promovê-lo, uma das coisas que eles estão fazendo é um projeto em conjunto com o Google Earth.

A idéia é que o clipe seja construído pelas pessoas, usando a música “Midnight Madness” como inspiração. No site deles tem um brief do negócio, mas basicamente cada pessoa tem que mandar uma foto ou filme de até 20 segundos que celebre a loucura que rola entre o anoitecer e o amanhecer, fazer o upload disso no site deles e em seguida faça um geo-tag, no Google Earth, de onde o filme/foto foi feito.
Particularmente gosto da ideia de pedir pedaços de filme para a galera, mas garantir a liberdade de editar da maneira que os artistas, ao invés de simplesmente fazer um concurso do melhor clipe (até porque assim mais pessoas conseguem participar), mas realmente fiquei curioso para saber o que os caras querem fazer com o geo-tag. Bom, vou descobrir dia 1 de Setembro, quando o clip estréia no You Tube.
Fico pensando, se eu trabalhasse para Nokia, Canon ou coisa do gênero, iria querer coisa assim pra minha marca. Iria incentivar as pessoas a usar a camera do celular, usar o GPS e assim por diante. De qualquer forma, como já vimos dezenas de vezes, prestar atenção no que essa turma mais vanguardista faz (e, melhor, juntar-se a eles) pode render dividendos que milhões em TV simplesmente não são capazes de atingir, pois isso é inovação e não tem muita coisa inovadora em pegar o telefone e ligar pra globo.
hieróglifos contemporâneos
escrito por Mastropietro Luiz em 21/08/2008 | 3 comentários
categorias: Mobile, Pensamento, Web
Este post fala um pouco sobre linguagem, e como a sociedade digital está criando novas formas e jeitos de se comunicar – jeitos que apesar de serem novos, guardam uma forte semelhança com a linguagem usada pelo homem nos primórdios de sua evolução.

A história da linguagem e da comunicação humana começa pelos sons, passa pelos gestos (mímica), até chegar nos símbolos e na escrita. Uma das primeiras formas de escrita foram os Hieróglifos, nome dado para as inscrições formais nas paredes de templos e túmulos da era Egípcia.
Hieróglifos são símbolos que contam histórias. Uma imagem que vale por mil palavras. E que depois de algum tempo, acabou dando origem às letras, que deu origem às palavras. Que juntas, assim como os hieróglifos, também contam histórias.
A diferença entre um hieróglifo e uma letra está na riqueza de seus significados.
Mas a história não pára por aí. Depois que o homem se habitou a contar histórias através de letras e palavras, chegou a revolução digital. E mais do que nunca, as pessoas passaram a usar cada vez mais as letras e palavras para se comunicar.
Há quem diga que prefere mandar um SMS do que ouvir a voz de alguém. Há quem diga que conversa com 30 pessoas por dia, sem abrir a boca – apenas digitando.
Dentro deste contexto, quanto mais o homem escreve, mais ele economiza palavras. Desta forma, ele economiza tempo, economiza esforço e dígitos para não estourar os 160 caracteres permitidos em um SMS ou os 400 permitidos em uma mensagem do MSN.
SMS, MSN, WEB – no mundo digital, vivemos na era das abreviações, da simplificação. Não me surpreenderia encontrar o termo “vc” no Aurélio.
Mas além das abreviações, o homo digitalis começou a ganhar um novo aliado que está se tornando cada vez mais presente como uma forma de linguagem interpessoal: os ícones.
Eles invadiram as nossas vidas, eles estão em todos os lugares: no celular, no MSN, no desktop, nos sites, no controle remoto e até na etiqueta das roupas.
Existem palavras ou sentimentos que podem ser expressadas de forma mais lúdica, rica e divertida através de um ícone do que escrevendo-a. Em Israel, por exemplo, existe uma febre entre os adolescentes de se comunicar com os celulares apenas através de ícones. E muitas vezes esses ícones usados são ininteligíveis para quem não faz parte da comunidade e não conhece os significados dos símbolos. É a mais pura tradução de um hieróglifo contemporâneo.

Já em Portugal, a operadora TMN lançou o Zlango – um serviço de mensagens instantâneas baseado em ícones, veja só:
Interessante imaginar que as pessoas estão (re)aprendendo um novo jeito de contar histórias através desses “hieróglifos contemporâneos”. Um jeito mais símbólico e cheio significados que podem equivaler por uma frase, ou por mais de mil palavras.
Assim como eu não duvido que a palavra “vc” entre no Aurélio, não duvido que daqui a alguns anos as pessoas passem a contar histórias totalmente baseadas em ícones.
Depois de pensar que os hieroglifos voltaram depois de 8932392 anos, só nos resta imaginar: estaria o alfabeto com os séculos contados?
que o bourbon street inspire os demais
escrito por Mastropietro Luiz em 18/08/2008 | 2 comentários
categorias: Atitude, Eventos, Pensamento
Final de semana em São Paulo. Para muitas pessoas essa expressão remete a programas de índio como um passeio pelo shopping, uma sessão de cinema ou um folhear de livros em alguma livaria.
Mas nesse final de semana as coisas foram diferentes. Em um sábado de sol, a casa de jazz Bourbon Street deu um presente aos paulistanos: uma sessão de jazz e blues ao ar livre no Parque Ibirapuera. Som perfeito, sorrisos, lua cheia e brisa fresca marcaram o entardecer no parque.

E a iniciativa não pára por aí: durante toda esta semana (de 16 a 24 de agosto) o Bourbon Street Festival vai promover alguns shows em seu espaço e fechar a ’semana do jazz’ com mais uma apresentação gratuíta ao ar livre - desta vez na Rua dos Chanés 127, a própria rua da casa.
Me surpreende a generosidade do Bourbon Street. Afinal, estamos falando de uma uma casa de música que conseguiu causar uma transformação na agenda cultural da cidade, provendo entretenimento gratuíto e de qualidade aos paulistanos.
Enquanto isso, por exemplo, as montadoras de automóveis lucram alguns bilhões de reais vendendo carros e no final das contas, o que fazem pela cidade? Geralmente costumam gastar R$300 milhões de reais por ano para encher a televisão com barulhentos anúncios de varejo e infestam jornais com panfletos de venda e promoções.
Investem todo esse dinheiro em publicidade, mas raramente tem a sensibilidade de prestar algum serviço ou entretenimento às pessoas. Não tapam um buraco da cidade, não lutam pela poluição, não ajudam o trânsito. Apenas vendem carros.
Que o Bourbon Street inspire os demais.
Powerpoint com um toque de iphone
escrito por Mastropietro Luiz em 14/08/2008 | 7 comentários
categorias: Apresentações
Estamos vivendo na era dos slides, mas continuamos a usar a mesma ferramenta de sempre: o Powerpoint. Será que não é possível criar uma nova dinâmica de apresentações que vá além da mesmice linear imposta pela Microsoft? Enquanto Bill Gates insiste em não evoluir com o seu consagrado Powerpoint, outras empresas vão comendo pelas bordas criando novas formas de criar apresentações.
Um caso interessante é a ZuiPrezi, uma nova ferramenta que permite criar apresentações não lineares, mais dinâmicas, visuais e humanas. Poderia até dizer que é uma espécie de iPhone das apresentações, pois oferece uma nova lógica: fluída, líquida, móvel e muito mais agradável de interagir.
E aí fica a pergunta para os seguidores do Bill Gates: vocês já criaram o Microsoft Surfaces. Custa um criar um Powerpoint mais interessante?
Estalos relacionados:
A balada do Powerpoint
Karaokê de Powerpoint
Powerpoint Art
Sua mãe também?
escrito por Caio DelManto em 11/08/2008 | 9 comentários
categorias: Pensamento, Planejamento

Eu trabalho na área de planejamento há quase 8 anos. O impressionante disso é que, mesmo depois desse tempo todo, minha mãe continua não sabendo o que faço. Você deve passar por isso também. Ela sempre vê algum comercial na TV e fala: “Filho, olha o comercial que você fez! Que lindo!”. Por mais que eu explique que eu sou o cara que resolve o problema, que faz o brief, que constrói estratégias fantásticas para problemas de mercado, ela sempre acha que eu sou aquele que fez o filme da TV. E, não é só ela que pensa assim. Meu irmão mais velho, minha irmãzinha de 11 anos, meu pai, meus avós, meus tios, meus primos, meus amigos. Todo mundo. Infelizmente (ou felizmente) minha família não tem tradição no mercado publicitário. Lá tem vendedor, sapateiro, dentista, psicólogo, mais nenhum publicitário.
sobre a dificuldade de emplacar uma idéia
escrito por Felipe Senise em 11/08/2008 | 1 comentário
categorias: Ad, Pensamento
Não estive lá, mas me contaram que a Goodby Silverstein mostrou uma campanha bacana de Cheetos lá no AAAA. Fui atrás para saber do que se tratava e rapidamente encontrei o Orange Underground, nome da tal nova campanha de Cheetos. De fato ela é muito bacana. O personagem Chester Cheetah foi resignificado, ganhou uma personalidade e virou uma espécie de guru das sacanagens. Os filmes ficaram bem engraçados, dá uma olhada aí em um deles.
Eles criaram um site também sobre as RAOCs (Random Acts Of Cheetos), umas demências divertidas.
Aí no meio do meu search achei esse post que mostra com uma série de argumentos como essa campanha passou totalmente batida pelas pessoas. Pelo menos em termos de repercussão online, um dos nossos grandes termômetros hoje em dia. Ela teve apenas 17 menções no Technoratti, nenhuma no Google Trends e nenhum vídeo de RAOCs postado pelos consumidores.
Então eu me perguntei: mas por que uma campanha bacana dessas passa tão em branco? Parece que ninguém quer se envolver, ninguém sente vontade de se relacionar. Por quê?

Obviamente eu não tenho essa resposta. Quem me dera tivesse. O que eu tenho é uma impressão. A primeira coisa é que o sarrafo de uns tempos pra cá tem subido bastante. As pessoas não dão mais bola para qualquer campanha. Talvez nunca tenham dado, mas o fato é que isso acontece cada vez mais.
Essa campanha de Cheetos tem idéia, é engraçada, divertida e tal. Mas no final das contas são apenas 3 filmes divertidos de marca competindo com milhares de filmes divertidos das pessoas. A competição chega a ser desleal. Aí vocês podem argumentar comigo que tem o site e tudo mais. É verdade, mas ele repete a fórmula de qualquer campanha “que vai para o online”: hotsite + UGC.
Talvez para mexer em algum ponterinho de imagem de marca o Orange Underground tenha dado certo. Mas para que Cheetos consiga fazer essa idéia virar de verdade vai precisar de muito mais do que isso. E não estou falando em ampliar pontos de contato ou algo do gênero. Estou falando de mobilização, engajamento, algo que tire as pessoas do sofá para se relacionarem com essa idéia.
Como? Ah, não faz pergunta difícil, vai!
ah, as reuniões
escrito por Felipe Senise em 05/08/2008 | 2 comentários
categorias: Cartoon

Dica do Caio Braga, que viu no Seth’s Blog.
Que tal o multitouch da Globo?
escrito por Werner Iucksch em 05/08/2008 | 4 comentários
categorias: Cultura Pop, TV
Neste domingo a Globo lançou um gadget novo na sua programação, uma telona que responde ao toque, veja só:
O brinquedo me parece legal. Os caras que inventaram o dispositivo falam da possibilidade de duas pessoas usarem o negócio ao mesmo tempo, tipo, acabar com termo “PC” (personal computer). Sei lá, já imagino o Galvão Bueno brigando com o Falcão para ver quem manda na telona.
Uma equipe do G1 entrevistou um dos caras que desenvolveram o produto:
Então, o que você acha? Quer um para trabalhar em conjunto com sua equipe? Que tal um brainstorm com isso?
(para saber mais vale a pena dar uma lida no artigo do G1, bem como colar no site da empresa que faz a tela, que tem uns videos legais com mais usos para o produto)
O preço da propaganda
escrito por Mastropietro Luiz em 04/08/2008 | 2 comentários
categorias: Pensamento, Quotes

Certo dia o designer Yves Behar deixou escapar uma interessante frase durante uma palestra:
“advertising is the price companies pay for being un-original”
A platéia foi ao delírio. Alguns publicitários ficaram putos.
Essa frase do Yves é velha, mas nesta semana testemunhei uma prova viva desse pensamento. Durante um papo de bar entre nerds onde o assunto era computador, um dos integrantes da mesa soltou a frase: “A Apple tá sempre aí, porque faz um monte de propaganda, são mestres do marketing”.
Mas pera aí, a Apple faz propaganda no Brasil?
Que eu me lembre eu só vi propaganda da Apple na faculdade, quando me mostraram o clássico 1984, e um ou outro ‘reclame’ no YouTube. Mas nunca vi propaganda da Apple no Brasil.
Enfim… as pessoas falam da Apple porque ela faz produtos que merecem atenção, que despertam paixão. E ela não precisa estar na contracapa da Veja para ser falada. Já a Dell, por exemplo, está toda semana na Veja e nunca vi ninguém exaltando os produtos, e muito menos falando sobre a propaganda dela. O máximo que ouvi foi “colá lá que tá em promoção”.
Enfim, para desovar produtos que não são originais, não tem nenhum grande diferencial, ou não despertam a paixão de ninguém as empresas só tem uma saída: fazer exatamente aquilo que o Yves Behar disse.
Estando ou não do lado do Yves, tem uma coisa que é indiscutível: propaganda funciona, e pode vender. Ser original ou não é outros quinhentos.
